domingo, 15 de dezembro de 2013

Alberto Carlos da Silveira. Maçon, republicano e revolucionário de primeira linha.

O fracasso do regime parlamentar republicano instituido após Outubro de 1910, levou a que cada vez mais vozes se unissem com a intenção de instalar no País um regime presidencialista, baseado no constitucionalismo americano, Argentino e Brasileiro, que veio a ser chamado “República Nova”, consagrando-se pela primeira vez a eleição directa do presidente da república por sufrágio universal. Em  7 de Dezembro de 1917 dá-se a revolta.  Afonso Costa foi preso no Porto, dissolvido o parlamento e destituido o Presidente da República Bernardino Machado que seguiu para o exílio. São anulados os castigos impostos aos bispos e libertados os presos políticos. Em 27 de Dezembro, já Sidónio acumulava as funções de Presidente do Ministério e de Presidente da República. Seguiu-se um período de exaltação patriótica com autenticos banhos de multidão ao redor do “Presidente-Rei”. Tudo terminou um ano depois com o assassinato de Sidónio Pais, por um republicano fanático na estação do Rossio.

Este é um pequeno apontamento da intervenção do General de Artilharia Alberto Carlos da Silveira (1859-1927), meu bisavô materno, nos tempos conturbados de mudança da monarquia para a república e conflitos que se seguiram.

Alberto Carlos da Silveira comandava o Grupo nº2 do Campo Entricheirado de Lisboa em Outubro de 1910 quando foi proclamado o regime republicano.

Republicano fanático, maçon desde 1887, filiou-se no Partido Unionista e estava intimamente ligado por amizade pessoal ao Dr. Brito Camacho, que veio a ser Presidente da República.

Esteve implicado em quase todos os movimentos revolucionários da época em Portugal, tendo perdido o olho direito. A sua casa no Conde Redondo foi por diversas vezes alvejada, encontrando-se com as portadas das janelas crivadas de balas. A sua esposa fazia coleção das balas que guardava numa caixinha.

Em 5 de Outubro 1911, dá-se a primeira incursão monárquica, comandada por Paiva Couceiro em Trás-os-Montes. O ministro da guerra, general Pimenta de Castro, é exonerado por João Pinheiro Chagas presidente do Conselho de Ministros e é substituído pelo então major Alberto da Silveira. Continuará na pasta da guerra no governo seguinte de Vasconcellos, até Junho de 1912 e volta  assumir as mesmas funções por mais 2 vezes, no governo de Barros Queirós, entre Maio e Agosto de 1921.

A “Revolução Dezembrista” de Sidónio Pais começou a ser preparada por um comité ligado aos unionistas de Brito de Camacho que se reunia em “A Luta” e na farmácia Durão ao Chiado, de que era proprietário António Ferreira, também unionista.  A direcção conspiratória era composta entre outros por Alberto Carlos da Silveira, nomeado entretanto Comandante da Polícia de Lisboa, cargo que exerceu com brandura e inteligência, tendo recebido uma espada de honra quando deixou o posto.

Após a morte de Sidónio Pais as forças apoiantes da Constituição de 1911 retomam o poder e aproveitando as divisões e indecisões, é feita nova incursão monárquica no norte por Paiva Couceiro, tendo sido implantada em 19 de Janeiro de 1919 a "Monarquia do Norte" no Porto, dirigida por uma Junta Governativa Provisória presidida por Paiva Couceiro. Em Lisboa é tentada a ocupação do forte de Monsanto por forças monárquicas comandadas por Aires de Ornelas, que foram rapidamente subjugadas por forças republicanas comandadas por Alberto da Silveira. No norte, a aventura monárquica terminou um mês depois com a entrada no Porto das forças republicanas.

Nas eleições de 1925 foi eleito deputado pelo círculo de Lisboa, funções que acumulou com as de  vogal do Supremo Tribunal de Justiça Militar. 

Veio a falecer de morte súbita 2 anos depois aos 68 anos de idade, quando se encontrava a exercer as suas funções.

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